Data da Publicação: 24/04/2019 10:00:00

Provedor da Santa Casa apresenta contas e traça metas para superar crise financeira

Reunião contou com festeiros, membros da Casa de Caridade e vereadores

A gente apaga incêndio todo o dia”, disse o provedor da Casa de Caridade de Ouro Fino, Octávio Miranda Junqueira. A metáfora expõe a trágica situação de um hospital que poderia ser referência em nossa região. Apesar dos problemas, o otimismo e a vontade de trabalhar permeiam o dia-a-dia de todos que atuam na Santa Casa. No plenário da Câmara Municipal, o provedor demonstrou a real situação financeira da instituição e, também, apresentou possíveis soluções para recolocar o hospital nos trilhos. Estiveram presentes festeiros da Festa da Primavera, membros da Casa de Caridade e os vereadores Antônio Carlos Franceli (PR), Rafael Francisco da Silva (PSC) e Rosângela Tonon (PR). 

A Casa de Caridade de Ouro Fino sofre, atualmente, defícits mensais. Segundo o Octávio Miranda, as despesas ultrapassam um milhão de reais ao mês e as receitas são de R$750 mil. Mensalmente, o hospital tem cerca de R$300 mil reais de prejuízo. Apesar de precisar “trocar o pneu com o carro em movimento”, o provedor acredita que, com o apoio da população, é possível criar uma gestão sustentável.

Um dos problemas focados pelo provedor é que a Santa Casa trabalha com capacidade ociosa. Enquanto existem denúncias de filas e falta de leitos em alguns hospitais, a Casa de Caridade de Ouro Fino não conseguiu bater a meta de atendimentos e isso ocasiona a diminuição de repasses do SUS. Se o número de atendimentos está abaixo, a qualidade do hospital está nas alturas, a Santa Casa recebeu nota máxima em todos os quesitos qualitativos feitos na última avaliação SUS / PRO-HOSP.

A excelência no atendimento é inegociável. Com isso, a gestão traçou metas para engordar o caixa da Casa de Caridade:

Recuperar de confiança

A Santa Casa deixou de ser a primeira opção dos cidadãos de nossa região. Muita gente não acredita na segurança dos procedimentos feito no local. Ouro-finenses optam por fazerem partos em Jacutinga ou Pouso Alegre. Segundo o provedor, o hospital tem uma estrutura excelente para procedimentos de média complexidade e sempre conta com obstetras e anestesistas de plantão. Agora é necessário recuperar a confiança da população.

Aumentar os atendimentos de média complexidade

Algumas cidades de nossa região optam por enviar seus cidadãos para o Hospital Samuel Libâneo, em Pouso Alegre. O hospital, referência em alta complexidade, recebe pessoas mais de 150 cidades e passa pelo problema de falta de espaço para tratar todos, em média 50 pacientes por dia ficam nos corredores. O objetivo é conquistar mais cidades de nossa região para que tragam os casos de média complexidade para a Santa Casa de Ouro Fino e, assim, aumentando a arrecadação de repasse municipal e, também, desafogando o Hospital Samuel Libâneo para que este possa se concentrar nos casos mais complexos.

Anjos da guarda

A iniciativa busca 500 pessoas que doarão R$500 por mês ao hospital. O valor final de R$3 milhões servirá para equilibrar as contas e dar um respiro para um planejamento em médio prazo.

Urgência e Emergência

A Santa Casa e o Pronto Atendimento Municipal disponibilizam o serviço, mas estão praticamente no mesmo espaço. O provedor sugere unificar os dois espaços, já que, segundo ele, seria possível realizar o serviço em apenas um estabelecimento. Como a Prefeitura que paga o Pronto Atendimento, ou a Santa Casa pararia de oferecer o serviço, o que resultaria em uma economia de R$200 mil, ou o Pronto Atendimento pararia e o repasse em questão poderia ser injetado na Casa de Caridade. O provedor acredita, que com algumas adequações de espaço e equipe, a hospital filantrópico conseguiria assistir toda a região.

Festa da Primavera

O evento beneficente é de suma importância para dar um respiro à Santa Casa. Esse ano, os festeiros esperam dobrar a arrecadação e já iniciaram as preparações a festa.

 

FOTOS: ASCOM/CÂMARA

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